sábado, 9 de janeiro de 2016

Histórias e mitos sobre os presépios, e canções portuguesas de Natal


Presépio da Madre de Deus, séc. XVIII. Museu Nacional do Azulejo, Lisboa 
(foto reproduzida daqui)

A geografia, por exemplo: os presépios do século XVIII, em Lisboa, são sobretudo montados em anfiteatro, recriando a orografia da própria cidade; os do Norte aprofunda essa lógica, ainda mais abruptos e escarpados; já os de Aveiro são mais planos. Ou a posição das mãos da Virgem: se estão em adoração, remetem para a imagem do Menino como Filho de Deus; se estão cruzadas sobre o peito, falam do filho do homem e da mãe que contempla o seu filho; se levanta um tecido e expõe o menino, trata-se da rainha que mostra o seu herdeiro.
Estes são alguns dos pormenores sobre o presépio tradicional português explicados no programa Encontros sobre o Património, da TSF, dedicado precisamente a esse tema, na emissão de hoje, ao terminar a semana de Reis.
No programa, fala-se também dos primeiros presépios, montados em argila, no século XIII, sob a inspiração de Francisco de Assis; do modo como o presépio foi sendo apropriado por conventos, nobres e povo; da introdução da árvore de Natal por D. Fernando II e da crítica que Ramalho Ortigão faz a essa novidade; ou dos grandes presepistas portugueses, como António Ferreira ou Joaquim José de Barros (Barros Laborão), e também Joaquim Machado de Castro – que, como também se ouvirá, não fez tanto como se imagina.
São convidados do programa Alexandre Pais, Anísio Franco, Maria João Vilhena e o padre franciscano Joaquim Carreira das Neves. O programa pode ser escutado aqui.


No dia de Natal, Manuel Vilas Boas conversou com o compositor João Madureira, sobre o disco Canções de Natal Portuguesas.
As oito canções, executadas por 38 vozes infantis do conservatório de Carnide, em Lisboa, sob a batuta de Joana Carneiro, recuperam e recriam tradições populares, em versões de vários compositores. O programa e as músicas podem ser ouvidas aqui.

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sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (8) – Entre a reforma e os opositores, os temas difíceis do Papa

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o oitavo e último trabalho da série. 


O Papa Francisco com cardeais, no Vaticano 
(foto reproduzida daqui)

Pressente-se a urgência na sua forma de agir: a reforma da Cúria Romana terá de avançar e ser concluída antes de o Papa se retirar. Mas, até lá, e apesar do que já conseguiu, Francisco tem ainda muito trabalho pela frente. E muita oposição que se adivinha.

Não sendo a sua questão essencial - o que o Papa quer, em primeiro lugar, é que todos os católicos assumam de forma mais intensa a sua relação com o Evangelho e com as consequências da fé no agir quotidiano -, a reforma da Cúria Romana iniciada já por Francisco é um desafio importante para poder concretizar todos os outros de forma plena.
Os problemas da Cúria foram uma das razões que levaram Bento XVI a resignar do cargo e o Papa Bergoglio quer cumprir o mandato dos cardeais. Nas reuniões preparatórias do conclave, foram muitas as vozes a pedir uma clara reforma da instituição.
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


Aprofundar o debate sobre o lugar da mulher na Igreja
Na sua primeira longa entrevista, ao padre jesuíta Antonio Spadaro, o Papa Francisco afirmava: “É necessário ampliar os espaços de uma presença feminina mais incisiva na Igreja.” O Papa criticava a “ideologia machista”, defendendo que a mulher é “imprescindível” para a Igreja e que é preciso “trabalhar mais para fazer uma teologia profunda da mulher”, bem como “reflectir sobre o lugar específico da mulher, precisamente também onde se exerce a autoridade nos vários âmbitos da Igreja.”
A exegese bíblica das últimas décadas tem destacado cada vez mais o lugar importante que as mulheres tiveram no grupo dos seguidores de Jesus e as mulheres concretas que São Paulo deixou a liderar comunidades por ele criadas.

Vence a indiferença e conquista a paz – uma vigília de oração pela paz

Agenda



Arcabas, Pentecostes (2003; pormenor)

“A paz é um bem supremo que todas as religiões elegem simultaneamente como horizonte de esperança e como dever de empenhamento pessoal e colectivo, a que todos os homens e mulheres devem dedicar a sua atenção e cuidado.”
Com esta convicção, a Fundação Betânia promove no próximo dia 15 de Janeiro, das 21h30 às 23h, uma vigília de oração pela paz, que decorrerá na Igreja do Sagrado Coração de Jesus (Rua Camilo Castelo Branco), em Lisboa.
“Para os cristãos, em particular, a paz é, também, uma dádiva de Deus e um fruto maduro da justiça e da verdade que devem impregnar as relações entre os seres humanos e as suas instituições, sem esquecer a relação harmoniosa com toda a Criação. Jesus de Nazaré anuncia como sendo de Deus um reino de Verdade, de Justiça e de Paz. Assim acreditamos e por isso nos reunimos em vigília de oração”, diz o texto de apresentação da iniciativa, que a seguir se reproduz na íntegra:

Conscientes das inúmeras e complexas ameaças à paz com que hoje estamos confrontados, sensibilizados pelo crescente clamor das vítimas, e interpelados pela pergunta existencial que fizeste do teu irmão?, reconhecemos, como afirma o Papa Francisco, na sua mensagem para o dia mundial da paz, que importa vencer a indiferença para conquistar a paz.
Acreditamos que a indiferença em relação às chagas do nosso tempo é uma das causas principais da falta de paz no mundo (Papa Francisco).
A indiferença não se vence, porém, apenas com mais informação; esta tornar-se-á estéril e até anestesiante, se não for acompanhada por uma conversão do nosso coração que se traduza na superação da nossa inclinação para o individualismo e o comodismo que geram défice de compromisso com uma presença responsável no nosso mundo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (7) – Um Papa que se mete na economia e na política

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o sétimo trabalho da série. 




O Papa Francisco no II Encontro Mundial dos Movimentos Populares, 
que decorreu em Julho de 2015, na Bolívia (foto reproduzida daqui)

Para o Papa Francisco, o Evangelho de Jesus exige  o compromisso com os outros. Por isso ele vai buscar o pensamento social cristão desde os primeiros séculos para defender que, hoje, os problemas estão todos relacionados e propor os caminhos alternativos que passam pela centralidade da pessoa na actividade política.

“Devemos dizer ‘não a uma economia da exclusão e da desigualdade social’. Esta economia mata. Não é possível que a morte por enregelamento dum idoso sem abrigo não seja notícia, enquanto o é a descida de dois pontos na Bolsa. Isto é exclusão.”
A frase foi cunhada pelo Papa Francisco na exortação Evangelii Gaudium (A Alegria do Evangelho), de Novembro de 2013, e sintetiza a preocupação por recolocar as pessoas no centro da actividade política, em detrimento de uma “economia sem rosto”.
Estamos perante um Papa mais político do que os anteriores? Nem tanto. Desde os primeiros séculos do cristianismo, os mais importantes teólogos são violentamente críticos do poder político e económico, chegando alguns a defender a possibilidade de roubar matar a fome. No século XIX, com a encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII, que funda a moderna doutrina social da Igreja, continuou a defesa prioritária dos que sustentam, com o seu trabalho, a pirâmide social.
Mesmo se esse pensamento foi evoluindo, as ideias fundamentais foram sempre a prioridade da pessoa sobre o capital, do bem comum sobre o bem privado, do direito ao trabalho, à habitação e a condições de vida dignas (ver texto ao lado).
A diferença com os pontificados anteriores é que Francisco aponta exemplos concretos para traduzir essas ideias. E não se inibe de usar circunstâncias simbolicamente fortes – participando num encontro de movimentos populares ao lado do Presidente boliviano, Evo Morales, entrando numa favela do Rio de Janeiro, visitando um campo de refugiados do Quénia ou indo a um bairro de muçulmanos cercado por milícias cristãs, numa República Centro-Africana em guerra civil.
Francisco fala mais vezes destas questões e coloca-as como prioridade sobre outras. Ainda no dia 30 de Novembro, a regressar da viagem a África, e perguntado sobre o preservativo, ele repetiu o que Bento XVI já dissera: “Sim, é um dos métodos” de prevenção do contagio da sida, por exemplo.

René Girard, misericórdia e sobriedade

Crónica


René Girard (foto reproduzida daqui, onde se pode ler um obituário)

Na Voz da Verdade, Guilherme d’Oliveira Martins escreveu um artigo sobre o Ano da Misericórdia, onde referia também René Girard, que morreu no início de Novembro e que marcou o olhar antropológico sobre o facto religioso. Sob o título Misericórdia e sobriedade, escrevia:

Morreu no início de novembro o filósofo René Girard (1923-2015). Disse-nos que «as nossas sociedades não se definem apenas pelo que integram, mas também pelo que excluem». Daí a necessidade de tomar consciência da violência arcaica que ainda persiste em nós… Ao contrário daqueles que referem a Paixão de Cristo como um mito, René Girard afirma a singularidade e a essencialidade da revelação cristã. Esta não só rompe a lógica negativa da «violência mimética», mas também revela o substrato de toda a cultura humana – e assim o sacrifício apazigua as massas e tem uma função unificadora da sociedade. É difícil de compreender o mistério da morte de um inocente, Jesus Cristo, cujo sacrifício supremo permite abrir as portas da reconciliação e do reconhecimento da dignidade humana. Deixa de haver um bode expiatório culpado, que concentra em si a culpa e o pecado, para existir realização suprema do amor. No fundo, a misericórdia tem a ver com essa concretização do mandamento novo.
(texto na íntegra aqui)


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quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (6) – Francisco, o pároco da aldeia global

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o sexto trabalho da série. 


O Papa, durante uma homilia, na Casa de Santa Marta 
(foto reproduzida daqui)

O que mais gosto é ser pároco, diz Francisco, quando questionado sobre o seu ministério. Esta vocação de proximidade vem de longe, mas o Papa argentino quis continuar – na residência escolhida, na organização do quotidiano, na forma como fala ou se aproxima das pessoas. De todas as pessoas.

Um Papa que gosta de ser pároco? A razão é dada pelo próprio Francisco: “Sinceramente, o que mais gosto é ser pároco, pastor. Não gosto de trabalhar no escritório (...), mas devo fazê-lo. Então, o que mais me agrada? Ser pároco.”
Há pouco mais de um mês, a 15 de Novembro, o Papa encontrou-se com os protestantes da Igreja Luterana de Roma. Julius, de nove anos, perguntou-lhe o que mais gostava no ministério de Papa. E Francisco explicou: “Gosto de ser Papa com o estilo do pároco. O serviço. Gosto disto, no sentido que me sinto bem quando visito os doentes, quando falo com as pessoas que estão um pouco desesperadas, tristes. (...) Ser Papa é ser bispo, ser pároco, ser pastor. Se o Papa não for bispo, se o Papa não for pároco, se não for pastor, será uma pessoa muito inteligente, muito importante, terá uma grande influência na sociedade, mas acho – penso! – que não será feliz no seu coração.”
Este é o estilo de Jorge Mario Bergoglio desde há muito. Já em Buenos Aires, enquanto arcebispo, ele dispensou o paço episcopal e passou a residir num apartamento normal. Ele próprio cozinhava, geria a agenda, recebia as pessoas. Tornou-se simbólica a foto de Bergoglio no metro de Buenos Aires, sentado como qualquer outro passageiro. No caso dele, os transportes públicos – também não tinha motorista – eram o modo de chegar, por exemplo, às “villa miséria”, os bairros degradados da capital argentina.
Quando foi eleito Papa, o estilo confirmou-se logo nas primeiras decisões: quando foi tomar posse dos aposentos pontifícios, Francisco comentou que o espaço daria para muita gente. E que ele não se sentia bem a viver isolado, sem mundo.
Optou, assim, por ficar na Casa de Santa Marta, uma espécie de residencial que serve de alojamento a padres, bispos e outras pessoas de passagem pelo Vaticano. Ali tinha ficado alojado durante o conclave, ali permaneceu. Na casa almoça diariamente, ali se cruza com funcionários – homens e mulheres – que cozinham, servem à mesa, asseguram a recepção, a limpeza e outros trabalhos.

Igreja em Portugal – uma revista do ano de 2015

O programa Ecclesia fez há dias uma revista do ano dos acontecimentos eclesiais em Portugal, referentes a 2015. Essa revista e um breve comentário meu a alguns dos acontecimentos podem ser vistos aqui:




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terça-feira, 5 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (5) – As periferias que elegeram o Papa

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o quinto trabalho da série. 


Monumento final - Lampedusa, 2011, do artista cubano Kcho
(ilustração reproduzida daqui)

Das periferias existências às geográficas, a sugestão do Papa tornou-se uma linha orientadora do seu pontificado

“A Igreja é chamada a sair de si mesma e ir para as periferias, não só geográficas, mas também existenciais: as periferias do mistério do pecado, da dor, da injustiça, da ignorância e desprezo relativamente à religião, do pensamento e de toda a miséria.”
Foi por causa desta frase, e da ideia das periferias, que o então arcebispo de Buenos Aires (Argentina), Jorge Mario Bergoglio, foi eleito Papa, a 13 de Março de 2013. Nas reuniões preparatórias do conclave, Bergoglio fez uma intervenção, baseada em algumas notas que, depois, o cardeal Jaime Ortega, de Havana (Cuba), lhe pediu para divulgar.
Nesses tópicos, Bergoglio acrescentava ainda: “Pensando no próximo Papa: [deve ser] um homem que, a partir da contemplação e adoração de Jesus Cristo, ajude a Igreja a sair de si para as periferias existenciais, que a ajude a ser mãe fecunda que vive da ‘doce e reconfortante alegria de evangelizar’.”
Desde então, a ideia das periferias tem marcado o pontificado de Francisco, tornando-se uma linha orientadora destes quase três anos, desde que foi eleito. E ela tem diferentes traduções, consoante a realidade a que se referem: o Papa fala de periferias existenciais para aludir a situações como a solidão, as mães solteiras, os homossexuais, os divorciados; refere os mais pobres, as vítimas de guerras, migrantes, reclusos ou refugiados no âmbito das periferias económicas ou sociais.
Também nas viagens ele tem dado prioridade às periferias geográficas. Não por acaso, a primeira saída do Papa foi a um lugar emblemático da desesperança humana e da profunda crise dos valores europeus: a ilha de Lampedusa, a sul de Itália, um dos lugares onde chegam refugiados em busca de uma vida digna – ou cadáveres dos que morrem na travessia do Mediterrâneo. Aí, gritou o Papa contra a “globalização da indiferença”, um tema que retomou na sua mensagem para o próximo Dia Mundial da Paz (1 de Janeiro), cujo texto foi divulgado esta semana (ver página ao lado).
Depois de Lampedusa, um novo mapa-mundi nasce com as viagens do Papa (que ontem mesmo fez 79 anos). No centro, são colocados alguns dos países mais pobres do mundo ou esquecidos no contexto internacional: Albânia, Sri Lanka, Filipinas, Equador, Bolívia, Paraguai, Uganda, Quénia, República Centro-Africana. Outros são países onde o catolicismo é (ultra-)minoritário ou está sujeito a forte pressão político-religiosa (Turquia, Israel, Palestina, Albânia, Sri Lanka, Cuba). E, mesmo em realidades mais favoráveis, como o Brasil, Coreia do Sul ou Estados Unidos, o programa privilegia encontros com pessoas sem-abrigo, presos, pobres...

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (4) – O outro nome do Papa é misericórdia

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o quarto trabalho da série. 

Um homossexual? "Quem sou eu para julgar?" Uma mãe solteira? O próprio Papa baptiza-lhe o filho. Refugiados a morrer no Mediterrâneo? Não podemos ceder à "globalização da indiferença". Pessoas sem-abrigo a dormir à volta do Vaticano? Providenciem-se duches e um barbeiro.

"Miserando atque elegendo". No lema do Papa, escolhido quando Jorge Mario Bergoglio foi nomeado bispo, está a síntese da mensagem central que ele considera dever ser anunciada pela Igreja: "Olhou para ele com misericórdia e escolheu-o", diz aquela frase, em latim.
Por ter esse entendimento, o Papa Francisco decidiu convocar um ano jubilar destinado a celebrar a ideia da misericórdia. A palavra, mesmo usada com frequência na Igreja, tinha sido esvaziada de muito do seu conteúdo concreto e o Papa argentino quer tornar a sua utilização mais real para a vida das pessoas.
(continuar a ler aqui, de onde também foi reproduzida a foto à direita)

14 obras para a generosidade: um tema central, mas ausente da teologia católica

O novo ano e a sabedoria

Na sua crónica deste domingo, no Público, frei Bento Domingues escrevia sobre Com quem começar o novo ano (I).

Sob o ponto de vista religioso um crucificado, um blasfemo, um possesso do demónio não era propriamente um protegido de Deus. Contra todas as evidências passa a correr a ideia que Deus o ressuscitou. Por outro lado, não se estava no fim do mundo, na ressurreição universal. 
Havia o sinal de uma nova convocatória. O estranho é que os discípulos acabaram por dar crédito às mulheres, cuja opinião não contava. 
(texto na íntegra aqui)


Sábado, no DN, Anselmo Borges escrevia sobre A sabedoria em três palavras:

Concretamente numa sociedade como a nossa, quando predomina o barulho infernal - assembleias, televisões, comentários de comentários, todos a falar e ninguém a ouvir -, a vertigem da corrida, do stress e do atropelo, na confusão de imagens e do consumo niilista, na pura exterioridade e no esquecimento de si, é urgente fazer o elogio do silêncio, para ouvir a voz da consciência e a grande música, que é o Divino no mundo, e fazer apelo à cultura da pausa, para dar conta do milagre que é viver e não se afundar na dispersão de si e na insensatez sem fim. Deve-se viver e não ser pura e simplesmente vivido.
(texto na íntegra aqui) 

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Pequena Fragmenta apresentada em Aveiro - sessão nesta segunda-feira, dia 4

domingo, 3 de janeiro de 2016

Pequena Fragmenta apresentada em Aveiro

Agenda



São livros para aprender a fazer ondas do mar com a barriga ou que ensinam a respirarNesta segunda-feira, dia 4, a livraria Bertrand – Fórum Aveiro acolhe, a partir das 18h, uma sessão de apresentação da colecção infantil Pequena Fragmenta (entrada livre).
A colecção, que foi já objecto de uma sessão idêntica em Lisboaconta para já com três títulos: Histórias de Nasrudín (aqui pode ver-se um vídeo-livro), de Halil Bárcena (texto) e Mariona Cabassa (ilustração), Funâmbulusde Àlex Tovar (texto) e Àfrica Fanlo (ilustração) e Respirade Inês Castel-Branco.
Há já mais alguns títulos em preparação, nesta colecção que tem três edições diferentes, em português, catalão e castelhano
A Pequena Fragmenta segue as linhas da Fragmenta, a editora-mãe, que procura publicar livros que tragam a religião para o espaço público, numa perspectiva de debate com as ciências e a cultura, e de aprofundamento do diálogo inter-religioso, teológico ou bíblico.
“As respostas institucionais às perguntas religiosas entraram em crise. No entanto, as perguntas não estão em crise. Fazemo-nos, hoje como ontem. Mas já não há respostas tranquilizadoras. Todos somos buscadores”, lê-se no sítio da editora na internet.
No catálogo da Fragmentadestacam-se, por exemplo, a publicação das Obras Completas, em catalão, de Raimon Pannikar, o teólogo “ícone da unidade”.
A sessão de segunda-feira, em Aveiro, contará com as intervenções de Inês Castel-Branco, directora da colecção e autora de Respira, e Júlio Pedrosa, catedrático e ex-reitor da Universidade de Aveiro.

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A revolução franciscana (3) - Um pontificado em chave de mudança


sábado, 2 de janeiro de 2016

A revolução franciscana (3) – Um pontificado em chave de mudança

Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante o mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o terceiro trabalho da série. 

Papa Francisco (foto reproduzida daqui)

Mudança. A palavra atravessa, desde o início, os gestos, as decisões, os apelos, as homilias do Papa Francisco.

Desde o primeiro momento, pressentiu-se a mudança: o cardeal Jean-Louis Tauran chegou à varanda da Basílica de São Pedro, no início da noite de 13 de Março de 2013, e anunciou "habemus papam". Quando disse o nome escolhido pelo eleito, Francisco, percebeu--se que muito mudaria. Mudou logo nos instantes iniciais: as primeiras palavras dirigidas à multidão pelo até aí arcebispo de Buenos Aires foram um aparentemente banal "boa noite". Mas o que parecia normal trazia já o gérmen da novidade. O bispo e o povo caminham juntos, disse logo a seguir, inclinando-se para pedir a bênção dos milhares de pessoas que estavam na praça. Durante longos segundos, um silêncio esmagador tomou conta da multidão que pressentia o tempo novo. E, a partir daí, o Papa habituará as pessoas a um repetido pedido: "Rezem por mim..."
(o texto pode continuar a ser lido aqui)


Frases para a mudança

O Papa Francisco não se cansa de pedir a mudança – seja em questões políticas e económicas, seja em matérias internas da Igreja. E não enjeita mesmo haver temas, como o da mulher na Igreja, em que a mudança deve acontecer, mesmo que ele pense que a doutrina essencial deve ser mantida. Um breve dicionário de frases do Papa sobre a mudança.

Uma reforma financeira que tivesse em conta a ética exigiria uma vigorosa mudança de atitudes por parte dos dirigentes políticos, a quem exorto a enfrentar este desafio com determinação e clarividência, sem esquecer naturalmente a especificidade de cada contexto. O dinheiro deve servir, e não governar! O Papa ama a todos, ricos e pobres, mas tem a obrigação, em nome de Cristo, de lembrar que os ricos devem ajudar os pobres, respeitá-los e promovê-los. Exorto-vos a uma solidariedade desinteressada e a um regresso da economia e das finanças a uma ética propícia ao ser humano. (Exortação A Alegria do Evangelho, nº 58)

A "Fuga para o Egipto" e o drama dos refugiados


Iluminura da lenda apócrifa da queda da estátua pagã durante a fuga, 
pelo chamado Mestre de Bedford. Fonte: Wikipedia

     No cap. 2, 13.23, do evangelho de Mateus, é-nos apresentado o episódio da Fuga para o Egipto. Avisado por um anjo de que o rei Herodes tencionava matar o recém-nascido, José e Maria puseram-se a caminho, levando consigo o Menino. A decisão de Herodes de mandar exterminar os recém-nascidos da região de Belém ficara a dever-se ao facto de se ter sentido enganado pelos Magos que, depois da adoração de Jesus, não voltaram por Jerusalém para darem informações precisas sobre o nascimento do "Rei dos Judeus".
     Existem numerosíssimas representações deste episódio, na história da arte cristã. É a propósito dele que existe a invocação de Maria como Nossa Senhora do Desterro.
A experiência da perseguição e da morte, que levou a família de Nazaré a abandonar Israel e buscar refúgio em outro país é bem uma situação que ajuda a entender, a meditar e a agir face aos milhões de refugiados dos nossos dias e, em especial aqueles que batem à nossa porta.
     No espaço que alimento na plataforma de imagens scoop.it, dedicada às representações artísticas de Maria com o Menino, pesquisei este episódio e apresento uma pequena exposição de cerca 50 imagens dedicadas à Fuga para o Egipto, cobrindo diferentes épocas e distintas culturas.
     O acesso pode ser feito aqui (clicar nas imagens para as ampliar):

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

Taizé anuncia próximo encontro europeu para Riga, na Letónia

Será a primeira vez que a comunidade promove um grande encontro numa república ex-soviética


O irmão Aloïs, de Taizé, ladeado pelos arcebispos luterano (à esqª) e católico de Riga, quarta à noite, depois de anunciar a cidade que acolherá o próximo encontro europeu de jovens

Do Mediterrâneo para o Báltico, do Sul para o Norte, de Valência (Espanha) para Riga, capital da Letónia. Pela primeira vez, um encontro europeu de jovens, da peregrinação de confiança através da terra, promovido pela comunidade monástica ecuménica de Taizé (França) decorrerá numa ex-república soviética e num país báltico.
O anúncio foi feito pelo irmão Aloïs, prior de Taizé. Primeiro numa conferência de imprensa, depois na oração do final da tarde de ontem, em Valência.
Um aplauso enorme acolheu a decisão da comunidade monástica ecuménica, numa das duas enormes tendas de oração montadas no jardim do Turia, no centro de Valência.
“Da costa do Mediterrâneo iremos à costa do Báltico”, disse o irmão Aloïs, anunciando que Riga será a próxima cidade que acolherá o encontro. Presentes na oração, acompanhando a divulgação da notícia, estavam os arcebispos luterano e católico, respectivamente Janis Vanags e Zbignevs Stankevics.
Já à tarde, na conferência de imprensa em que informou os jornalistas, o prior de Taizé estava com os dois responsáveis, que representam as maiores igrejas cristãs do país e onde o diálogo ecuménico é muito forte.
 “Fui consagrado na catedral luterana, do arcebispo Vanags, e isso diz tudo sobre a nossa colaboração” ecuménica, entre as diferentes igrejas, afirmou o arcebispo católico Stankevics, durante a conferência de imprensa.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

A revolução franciscana (2) – Os sapatos do Papa contra o suicídio


Foto Patrick Aventurier/Getty Images, reproduzida daqui


Sob o título genérico A revolução franciscana, publiquei no Jornal de Notícias, durante este mês de Dezembro, oito trabalhos sobre o Papa Francisco, que tentam fazer um balanço do que tem sido este ainda curto mas intenso pontificado. Este é o segundo trabalho da série. 

Domingo passado [dia 29 de Novembro], em Paris, um par de sapatos tornou-se num ícone, fotografado na Praça da República, no meio de milhares de outros, com a indicação do seu anterior proprietário: o Papa Francisco, que desse modo se associava à manifestação simbólica pelo clima, na véspera da abertura da cimeira das Nações Unidas dedicadas ao tema.
Os sapatos do Papa tornaram-se assim uma representação do que Francisco vem repetindo desde o início do pontificado: a urgência de guardar a criação - a expressão cristã para referir a natureza - e, com isso, garantir ao mesmo tempo um Mundo socialmente mais justo e mais pacífico.
(continuar a ler aqui)

Vaticano quer liderar combate aos gases com efeito de estufa

Não são de agora as preocupações dos papas com o ambiente. João Paulo II e Bento XVI referiram-se muitas vezes à questão e foi com o anterior Papa que no Vaticano se tomaram mesmo um conjunto de decisões com o objectivo de fazer do centro da Igreja Católica o primeiro Estado do Mundo a compensar totalmente as emissões de gases de efeito estufa.
(continuar a ler aqui) 

A encíclica do Papa, uma oportunidade perdida?

A pergunta do título não se relaciona com os resultados da cimeira de Paris, mas com o reflexo que o documento do Papa Francisco, publicado em Junho último, pode vir a (não) ter no conjunto da Igreja Católica. Se é verdade que vários grupos católicos e outros protestantes, anglicanos e ortodoxos estão empenhados na causa ambiental, também é verdade que em muitos sectores do catolicismo a questão ambiental ainda está muito longe das preocupações.
(continuar a ler aqui)


Texto anterior no blogue:
"Pessoas muito diferentes, que conseguem viver juntas" - um testemunho sobre Taizé e os encontros europeus de jovens

Texto anterior da série A Revolução Franciscana: