segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Deus é o Existirmos, e Isto Não Ser Tudo

Agenda



Entre 1965 e 1977, o boletim Igreja em Diálogo, editado pelo Graal, foi uma das publicações mais importantes do catolicismo português. Nele se traduziam teólogos e pensadores cristãos (não apenas católicos) que nessa altura lideravam a reflexão sobre a renovação das igrejas cristãs e sobre a presença crente no mundo.
Cinco décadas depois, o Graal faz memória e actualização dessa publicação, através da edição de um conjunto de estudos que prestam homenagem ao Igreja em Diálogo. O livro Deus é o Existirmos, e Isto Não Ser Tudo, título a partir de um verso de Fernando Pessoa (ed. Paulinas) reúne textos de teólogos e teólogas como Bento Domingues, Teresa Toldy, Maria Carlos Ramos, Andrés Torres Queiruga, Lucia Ramón Cardonell, Alison Healey, Maria Ronan, Anne Hope, Ida Alvarinho, Pearl Drego ou Lorna Bowman.

A apresentação do livro decorre amanhã terça, a partir das 18h, em Lisboa, conforme o convite acima.

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Francisco e Cirilo pedem acção urgente para evitar nova guerra mundial

sábado, 13 de fevereiro de 2016

Francisco e Cirilo pedem acção urgente para evitar nova guerra mundial

Encontro histórico em Havana termina com declaração conjunta a apelar à comunidade internacional para travar perseguições a cristãos

O Papa Francisco e o patriarca Cirilo, da Igreja Ortodoxa Russa, querem uma "acção urgente da comunidade internacional para prevenir nova expulsão dos cristãos do Médio Oriente". Ao mesmo tempo, pedem à comunidade internacional que "faça todos os esforços possíveis para pôr fim ao terrorismo valendo-se de ações comuns, conjuntas e coordenadas", mas de modo "responsável e prudente". E os cristãos devem rezar para que Deus "não permita uma nova guerra mundial".
A declaração conjunta dos dois líderes religiosos, naquele que é o primeiro encontro entre o bispo de Roma e o patriarca de Moscovo em mil anos de separação das duas Igrejas, foi assinada ontem, cerca das 17.00, em Havana (22.00 de Lisboa). No documento, Francisco e Cirilo dizem que, ao levantar a voz em defesa dos cristãos perseguidos, exprimem igualmente a sua "compaixão pelas tribulações sofridas pelos fiéis doutras tradições religiosas, também eles vítimas da guerra civil, do caos e da violência terrorista".
(texto para continuar a ler aqui, de onde também é reproduzida a foto abaixo; a seguir, um segundo texto sobre a história e as razões da separação entre católicos e ortodoxos)




O patriarca Cirilo, de Moscovo, e o Papa Francisco, 
ontem em Havana

Política e religião, razões de um cisma de mil anos

Foram razões políticas que levaram à excomunhão mútua entre os cristãos do Ocidente e do Oriente, em 1054, mesmo se havia já divergências teológicas importantes. Depois, o modo de entender a fé cavou mais fundo a separação. Hoje, a política e os modos de entender a fé cristã aproximam os dois grandes ramos do cristianismo, mesmo se subsistem importantes factores de divisão em ambos os campos.
Durante os primeiros séculos, o cristianismo dos dois lados da Europa foi seguindo modos diferentes de se entender a si mesmo e de compreender a presença cristã na sociedade política. Mas a primeira grande divergência aparece ainda no século VIII, com a crise iconoclasta, a querela relativa às imagens. Nela “intervieram a teologia, a disciplina e a polícia”, como recorda o teólogo alemão Hans Küng, na sua monumental obra “O Cristianismo. Essência e História” (ed. Círculo de Leitores/Temas e Debates).

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

O encontro de Francisco com o patriarca Cirilo será mesmo histórico

O Papa Francisco e o patriarca da Igreja Ortodoxa Russa encontram-se hoje, ao final da tarde (hora de Lisboa), em Havana. Sábado passado, dia 6, no DN, publiquei um texto antecipando as razões e a importância deste encontro. É esse texto que a seguir se reproduz, actualizando as datas.

Depois de mil anos de separação, o Papa e o patriarca de Moscovo encontram-se pela primeira vez. Outro inédito: o encontro será em Cuba.


O patriarca Cirilo, de Moscovo 
(foto de CNS/Sergei Chirikov, EPA, reproduzida daqui)

A palavra “histórico” é a que melhor traduz o que se passará esta tarde, em Cuba: pela primeira vez em vinte séculos de cristianismo – e nos mil anos de separação –, um Papa católico e o Patriarca da Igreja Ortodoxa Russa irão encontrar-se. E são muitas as razões para a “importância extraordinária” do acontecimento, como definiu o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi.
O encontro era desejado pelos últimos papas, mas nunca aconteceu por razões religiosas e políticas. Desta vez, depois de dois anos de preparação, será concretizado numa escala do Papa Francisco na sua viagem para o México – o próprio já dissera estar disponível para tal encontro, onde e quando Cirilo quisesse – “basta ele dizer-me e eu vou”, afirmou o Papa, no voo de regresso da Turquia, em Dezembro de 2014.
O anúncio foi feito dia 5, em simultâneo, no Vaticano e em Moscovo, a “terceira Roma” (a segunda é Constantinopla): será “o primeiro na história e marcará um importante passo nas relações entre as duas igrejas”, confirma o comunicado oficial.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Enigmas, misericórdia e política, e inseminação vocacional

Crónicas

Sábado passado, no DN, Anselmo Borges continuou a reflexão da semana anterior (publicada aqui) sobre O grande enigma:

Ao longo da história, os homens, face ao enigma do universo, acreditaram numa Presença divina pessoal e transcendente, invocável, da qual esperaram a libertação para além da morte. Essa crença foi universal e impunha-se como quase evidente até do ponto de vista social. O número de ateus confessos era reduzido. Foi a partir da modernidade que a ideia de Deus se tornou problemática e o ateísmo, face ao teísmo dogmático, se afirmou a si próprio também dogmaticamente, num frente-a-frente de dogmatismos.
(texto para continuar a ler aqui)


No Igreja Viva, suplemento do Diário do Minho, Paulo Terroso escrevia sobre Diplomacia: a misericórdia como processo político:

É inegável o interesse com que nestes últimos tempos a comunidade internacional segue o pontificado do papa Francisco e a actividade diplomática da Santa Sé. Aliás, nesta mesma coluna já tivemos a oportunidade de aflorar o modo como o papa tem vindo a liderar e a definir a agenda internacional, sobretudo a partir da encíclica Laudato Si’. A tal ponto que hoje para um político, independentemente do quadrante político em que se situa, o melhor argumento de autoridade é mesmo citar o papa. Ainda que a tentação de instrumentalizar as suas palavras seja grande.
(texto para continuar a ler aqui)


No CM de sexta-feira, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre Inseminação vocacional:

A diminuição das vocações, sobretudo no mundo ocidental, tem feito com que os critérios de admissão aos seminários e às casas de formação religiosa sejam menos rigorosos do que num passado recente, quando ainda havia candidatos em abundância. O Papa Francisco tem consciência que assim acontece. Num encontro com cinco mil consagrados, em Roma, no passado dia 1, denunciou que algumas congregações, devido à sua esterilidade vocacional, recorrem ao que chamou a “inseminação artificial”.
(texto na íntegra aqui)

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O “rating” do Evangelho, a cura e a cadeia - crónicas de Vítor Gonçalves, António Pedro Monteiro e frei Bento Domingues


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

O “rating” do Evangelho, a cura e a cadeia

Crónicas

No comentário aos textos bíblicos deste domingo que passou, Vítor Gonçalves escreve sobre O “rating” do Evangelho:

Nestes anos de crise continuada entraram no nosso vocabulário comum expressões como, “ratings”, “swaps”, “subprime” e muitas outras que o universo económico e financeiro utiliza abundantemente. Vamos entendendo melhor que é difícil ou quase impossível entender os mecanismos financeiros que dominam e sustentam a vida de todos. Ao ver o filme “A queda de Wall Street” de Adam McKay, que relata como quatro homens anteciparam o colapso global da economia dos EUA, ao apostar na crise imobiliária e lucrando com a tragédia de muitos, não é possível ficar indiferente à ganância e à mentira de todo o sistema. 
(texto na íntegra aqui)


Ícone representando a cura de uma mulher encurvada por Jesus

A propósito do texto do evangelho proposto para a liturgia católica de hoje, António Pedro Monteiro (capelão no Hospital de Santa Maria e membro da congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, ou Dehonianos), refecte sobre a cura que cada pessoa pode ser para outra. Sob o título Tu podes curar-me, escreve:

O maior milagre que nos apresenta Marcos é um deus que se deixa tocar. Porventura, é a proximidade do toque que cura, é a relação (e as distâncias que ela encurta) que salva, que dá saúde, que cura…
Deixemo-nos curar pelos nossos irmãos e irmãs que estão doentes: curemos a nossa impaciência com a paciência deles; curemos a nossa ligeireza com a tristeza deles; curemos as nossas certezas e seguranças com a sua vida em suspenso…
(texto na íntegra aqui)


Na crónica de ontem, no Público, frei Bento Domingues escreve também tendo os textos bíblicos como pretexto, sob o título Tirar o evangelho da cadeia:

Não podemos deixar de ir ao encontro dessas narrativas de há dois mil anos. Inauguraram um tempo de vinho novo em odres novos. Os Evangelhos não podem ser o arquivo morto das Igrejas. Estas não podem viver sem a circulação permanente entre essa fonte e a complexidade do nosso tempo. Para escutar essa música dissonante é preciso querer nascer de novo e abandonar os mundos fechados para ver a luz.
(texto na íntegra aqui)

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Amor e limites, filmes e memórias, enigmas e paz

Crónicas

O comentário de Vítor Gonçalves aos textos da liturgia católica deste Domingo começa com a sugestão de um verso para uma canção, para falar depois de “O amor e os limites”:

Da admiração por Jesus, os seus conterrâneos passam rapidamente à rejeição. É verdade que Jesus foi exigente com eles. Não fez ali os milagres que tinha feito em Cafarnaum e interpelou-os com a universalidade do amor de Deus que ultrapassa as fronteiras de Israel. Recusou a “facilidade” de uma fé “milagreira”, que só funciona com o extraordinário, em vez de se maravilhar com a vida transformada. Propôs-lhes a adesão a um amor mas limitou-lhes a sede de milagres. Quando descobriremos que o seu amor é o maior dos milagres, a vida plena sem limites? Em dia de sábado, na terra que o viu crescer, nada fez, senão apresentar-se como Salvador; como nada fará na cruz nem no sábado do sepulcro. Por isso em Nazaré, como no calvário, é levado ao cimo da colina, num ambiente que respira ódio e morte. Mas, em tom de ressurreição, passa pelo meio deles e segue o seu caminho.


Hoje, na página da Rádio Renascença, Manuel Pinto escreve sobre Spotlight, um caso que já deu frutos, a propósito do filme em exibição:

Mais do que expor os abusadores ou as suas vítimas, esta obra de McCarthy confronta-mos com a obstinação de um sistema clerical em silenciar e perpetuar o silêncio das vítimas e dos próprios jornalistas. Neste sentido, sabe bem ouvir o atual cardeal de Boston, Sean O’Malley afirmar que “os media ajudaram a Igreja a ser um lugar mais seguro para as crianças (…) obrigando-nos a lidar com o abuso sexual por parte do clero”.


Na crónica de domingo, no Público, frei Bento Domingues escrevia sobre A memória afectuosa de Deus, recordando a figura de Nuno Teotónio Pereira:

José Pedro Castanheira, na última entrevista, perguntou-lhe:  deixou de ser crente? «A certa altura, sim, muito por causa do episódio da morte da minha mulher. Não foi imediato, mas ficou sempre uma ferida. Depois meti-me na política e acabei por chegar à conclusão que o sobrenatural não me dizia nada. Mas, olhando para toda a minha vida e para a minha formação, acho que sou católico, ainda que não praticante. Sou crente».
Santa coerência.


Sábado, no DN, Anselmo Borges escreve o primeiro texto com o título O grande enigma:

É possível que Deus exista, mas também pode não existir. Ninguém pode dizer que sabe que Deus existe, mas também ninguém pode dizer que sabe que Deus não existe. Ninguém sabe se na morte encontramos a vida na sua plenitude em Deus ou se, pelo contrário, para cada pessoa tudo acaba na morte. Este é o grande enigma da vida de cada homem, de cada mulher. É o enigma da verdade metafísica última do universo: Deus como fundamento último ou um puro mundo sem Deus? 


Sexta, no CM, Fernando Calado Rodrigues escrevia sobre As religiões e a Paz, a propósito de dois encontros do Papa nos últimos dias:

O Jubileu da Misericórdia desafia a Igreja a sair de si e a construir pontes de entendimento com as outras religiões monoteístas. “A misericórdia possui uma valência que ultrapassa as fronteiras da Igreja. Ela relaciona-nos com o judaísmo e o islamismo, que a consideram um dos atributos mais marcantes de Deus”, escreveu o Papa Francisco na Bula de convocação do ano jubilar.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

A importância do Canadá na restauração da Ordem Dominicana em Portugal

Agenda



Túmulo da Princesa Santa Joana, 
no antigo convento das dominicanas em Aveiro, hoje museu

A importância dos frades dominicanos do Canadá na restauração da Ordem dos Pregadores em Portugal, na segunda metade do século XX, será um dos temas das Jornadas de História “Os Dominicanos em Portugal (1216-2016): História. Memória. Património”, que decorrem em Aveiro, sexta-feira e sábado.
Participam na iniciativa três investigadores estrangeiros. Um deles, frei Darren Dias, tem ascendência goesa, é professor de Teologia em Toronto e um dos grandes especialistas contemporâneos em questões do pluralismo e diversidade religiosa.
Criada por São Domingos de Gusmão e confirmada em 1216, a Ordem Dominicana cumpre oito séculos em 2016. As jornadas de Aveiro são a primeira etapa de um programa que pretende evocar os 800 anos daquela data. Entendendo a efeméride como uma oportunidade para a promoção da investigação e para a divulgação do trabalho científico, o Centro de Estudos de História Religiosa (CEHR), da Universidade Católica Portuguesa, e o Instituto São Tomás de Aquino (ISTA) decidiram concretizar em conjunto um programa de atividades com o objetivo de promover a revisão historiográfica sobre a Ordem Dominicana e valorizar a herança cultural da sua presença em Portugal. Deste programa, que decorrerá até ao início de 2017, destacam-se um conjunto de três jornadas.
O programa da jornada, que inclui ainda um concerto de música e uma visita orientada à presença dominicana no Museu de Aveiro (onde decorre a iniciativa), pode ser consultado aqui. A participação é gratuita, mas sujeita a inscrição, conforme instruções no referido sítio.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A conversão do desejo e os antibióticos do Papa

Crónicas

Na sua crónica de dia 17 de Janeiro, no Público, que ainda aqui não tinha sido referida, frei Bento Domingues concluía, com o terceiro texto, a resposta à pergunta Com quem começar o novo ano:

O seu programa de libertação dos oprimidos resulta do jubileu da pura graça de Deus. Rompe e fecha para sempre o dia da sua ira e vê o mundo a partir das periferias sociais e religiosas.
Qual o maior obstáculo dos discípulos em entenderem o Mestre? Desejavam o mundo que Jesus recusou nas tentações messiânicas. Vem tudo no Evangelho de S. Marcos. Cristo teve de convocar uma reunião de emergência para resolver o mal-estar no grupo que o seguia. Primeiro de forma surda e depois de modo explícito verificou que só lhes interessava o poder. Jesus apenas os queria preparar para servir e eles preparavam-se para mandar.
Sem a conversão do desejo não há reforma possível. O Papa Francisco que o diga.
(texto para ler aqui na íntegra)


Domingo passado, Bento Domingues escrevia sobre Os antibióticos do Papa:

Dizem-me que a Igreja Católica, em Portugal, está a cair de sono. Alguns acrescentam: pode dormir à vontade porque só quando Fátima entrar em crise é que será preciso algum cuidado. Ainda não chegamos aí.
Bocas são bocas e má-língua é má-língua. Para o confronto com a realidade, talvez fosse preferível promover algumas sondagens e iniciativas de jornalismo de investigação para responder às seguintes questões:
Como reagem, que dizem e fazem os católicos portugueses – sejam eles leigos, religiosos, padres e/ou bispos - perante as actitudes, as intervenções, os gestos e as declarações do Papa Francisco?
Qual a influência das suas orientações no modo de viver a fé cristã nas paróquias, nas dioceses, nos movimentos, nas congregações religiosas, nos colégios e na universidade católica?
Como é recebida na vida pessoal, familiar, profissional, na intervenção social e política o seu exemplo e as suas propostas?
Será verdade que, na Igreja em Portugal, se desenvolvem várias formas de resistência activa e passiva à linha pastoral de Bergoglio?
Ter-se-á passado da papolatria para a Bergoglio-alergia?
Disseram-me que era muito duvidoso que alguém se pudesse interessar por um projecto desses. De qualquer forma, aqui fica a sugestão.
(texto para continuar a ler aqui)

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segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Unidade dos cristãos: ideias novas, experiências concretas e um casal ecuménico

A propósito da Semana pela Unidade dos Cristãos, que hoje termina, o padre Pablo Lima, de Viana do Castelo, propõe algumas ideias concretas. Num artigo com o título Um novo modelo de unidade, escreve:

Com certeza, ainda há muito por fazer, mesmo no campo prático e acessível a todos. Neste ano jubilar da misericórdia, a um ano de distância dos quinto centenário da Reforma, um uso pastoral inteligente do tema das “indulgências” não pode esquecer que foi essa questão prática a provocar o cisma de Ocidente… Uma nova sensibilidade teológica deveria evitar que, num jornal católico, se chame “calvinista” a um teólogo da Reforma, porque o termo é paralelo ao título “papista” aplicado aos católicos, ou ainda, anunciar uma celebração ecuménica com o título de “encontro inter-religioso”. E seria também oportuno que, sendo a comunhão sob as duas espécies aquela que é referida nos textos evangélicos e a forma privilegiada pela reforma litúrgica, se pudesse tornar normal que, em cada eucaristia, ao menos alguns fiéis junto com o presbítero, pudessem comungar sob as duas espécies, até conseguirmos o mesmo para a totalidade da assembleia celebrante.
(artigo completo para ler aqui)


Num outro texto, o padre Paulo Terroso, de Braga, escreve sobre Bose: onde a utopia da unidade dos cristãos é um lugar: 
“Sem nunca os ter procurado – assim se pode ler no página da internet da comunidade – mas fruto de um grande dom do Espírito, desde o princípio fazem parte da comunidade cristãos de várias confissões». Este dom do Espírito levou a comunidade a “fazer um compromisso para a Unidade de todos os cristãos na fidelidade à palavra de Cristo: ‘Que todos sejam um’ (Jo 17,21)”.
(texto completo aqui)



Na semana em que se celebra o diálogo e a oração ecuménica de modo mais efectivo, a Ecclesia registou, na rádio, o testemunho de Dina Rego, católica, e Alberto Teixeira, ortodoxo, que casaram em Julho de 1994, segundo o ritual ortodoxo, numa pequena capela à beira-Sado, em Setúbal.
Na celebração, Dina e Alberto tiveram amigos católicos, ortodoxos e protestantes. Duas décadas depois, dizem que é possível viver em casal diferentes realidades eclesiais: “Ou se ama a pessoa inteira ou não há outra maneira”, diz ela. “Para a Dina, talvez tenha sido mais difícil”, passando dos 45 minutos da missa católica para as quatro horas que por vezes duram as liturgias ortodoxas, acrescenta ele.
A entrevista pode ser ouvida aqui.


Também a Rádio Vaticano foi ao encontro da experiência de três jovens – uma italiana, uma irlandesa e uma alemã – que estão na paróquia do Bonfim (Porto), a viver uma fraternidade provisória durante um mês, proposta pela comunidade ecuménica de Taizé (França). A reportagem pode ser ouvida aqui.



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Papa vai à Suécia celebrar Lutero - uma comemoração dos 500 anos da Reforma protestante

Papa vai à Suécia celebrar Lutero

O Vaticano anunciou hoje, último dia da Semana pela Unidade dos Cristãos, que o Papa estará presente, em Outubro, numa comemoração ecuménica conjunta do início da Reforma protestante.
A celebração decorrerá em Lund (Suécia), a 31 de Outubro, e com o Papa estarão o bispo Munib A. Younan e o reverendo Martin Junge, respectivamente presidente e secretário-geral da Federação Luterana Mundial.
A comemoração acontece um ano antes de se completarem cinco séculos sobre a data considerada o início da Reforma de Lutero – 31 de Outubro de 1517. Na celebração conjunta, será utilizado o guia de oração comum católico-luterano Common Prayer (Oração Comum).
Mais pormenores e declarações sobre a iniciativa podem ser lidos aqui, em castelhano (notícia em português aqui).

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Variações sobre o corpo e as mulheres nos Evangelhos - duas propostas em Lisboa

Variações sobre o corpo e as mulheres nos evangelhos

Agenda

Variações sobre o corpo – uma aproximação estética, erótica e ética é o título do curso livre que hoje, amanhã (terça) e quarta-feira decorre na Universidade Católica Portuguesa, em Lisboa, orientado pelo padre jesuíta brasileiro Nilo Ribeiro Júnior.
Professor na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia da Universidade Católica de Pernambuco, Nilo Ribeiro Júnior desenvolve a sua investigação na área da Ética e Filosofia contemporânea, sobretudo em questões como a fenomenologia, alteridade, ética, responsabilidade e corporeidade.
Num texto sobre O Ser Humano como corpo e o Cristianismo, escreve: “o corpo é considerado lugar por excelência no qual o Deus dos cristãos experimenta a humanidade por dentro. Ele contrai com a humanidade uma cumplicidade corpórea tal a ponto de tornar a carne humana lugar da revelação da interioridade do próprio Deus. Na perspectiva cristã o simbolismo do corpo excede toda a significação anterior: em Jesus de Nazaré o Verbo se faz carne reconciliando o humano e o divino sem separação e sem confusão, sem contudo perder sua mundaneidade, isto é, sem qualquer traço de espiritualismo abstrato e desencarnado. Em termos antropológicos, significa dizer que o Verbo (palavra) assume a carne humana para que nossa humanidade se torne um ‘corpo de carne’, isto é, que o corpo não seja privado de transformar-se numa carnalidade humano-divina. Nesse sentido, referir o humano à carnalidade significa outrossim voltar-se a significação genuinamente humana do corpo que só a carne pode assegurar. A carne, portanto, assume a significação que transcende os aspectos meramente exteriores do corpo humano, sem contudo negar sua dimensão material.”
(o texto pode ser lido aqui na íntegra; o curso implica uma inscrição paga e decorre das 18h às 20h, nos três dias; mais informações podem ser encontradas aqui)

Nas próximas duas terças-feiras (amanhã e dia 2 de Fevereiro), a Capela do Rato (Lisboa) organiza duas sessões sobre As mulheres nos Evangelhos e na Igreja, orientadas pela irmã Maria Julieta Mendes Dias, que tem feito investigação bíblica sobre o tema – é coautora, por exemplo, de A Verdadeira História de Maria Madalena (ed. Casa das Letras) e orientou já o Encontro de Reflexão Teológica do Metanoia – Movimento Católico de Profissionais, sobre A originalidade de Jesus acolhida pelas mulheres.
Nestas duas sessões da Capela do Rato, Julieta Dias propõe olhar para a atitude de Jesus para com as mulheres e perceber a reacção das mesmas à Boa Nova de Jesus, para tentar compreender a situação das mulheres na Igreja ao longo dos tempos. As sessões decorrem às 21h30, na Capela do Rato.

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Viagens, pesadelos, pobres e ricos - crónicas de Anselmo Borges, Vítor Gonçalves e Fernando Calado Rodrigues